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Huawei empurra clientes ao mercado negro ao pedir que consigam própria memória para chips de IA

Por Redação TecStudio
3 min
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Huawei store in Qibao Shanghai May 2026
Foto: 4300streetcar / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Huawei está pedindo que clientes dos seus chips de inteligência artificial consigam a própria memória do componente. Na prática, a fabricante chinesa está empurrando a compra para o mercado negro. A informação é do The Information, que apurou a orientação dada pela empresa a alguns de seus compradores.

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O problema é duplo. De um lado, os fornecedores chineses da Huawei não conseguem produzir memória de alta largura de banda (HBM) em quantidade suficiente. Do outro, as regras de exportação dos Estados Unidos bloqueiam a compra direta de Samsung e SK Hynix, que juntas controlam mais de 80% do mercado global desse tipo de memória.

No fim do ano passado, a Samsung já tinha vendido toda a produção de HBM de 2027, sinal de que a demanda por IA está muito acima da oferta no mundo inteiro. Para a Huawei, o aperto é ainda maior por causa do embargo.

O nó da memória que trava o Ascend 960DT

A Huawei planeja lançar o chip Ascend 960DT no começo de 2027. A empresa promete que ele vai dobrar o desempenho dos processadores atuais da linha Ascend. Mas, sem a memória adequada, o chip não sai do papel.

Cada unidade do Ascend 960DT precisa de seis a oito módulos de memória HBM para funcionar. No mercado legal, esses módulos são fornecidos sobretudo por Samsung e SK Hynix. Como a Huawei está na lista negra de exportações dos EUA, não pode comprar diretamente de nenhuma das duas.

A saída encontrada pelos contrabandistas é engenhosa. Eles combinam módulos HBM com processadores de servidor baratos, cujo desempenho fica abaixo do limite imposto pelas regras americanas, e enviam os pacotes para a China via Hong Kong. Lá, oficinas separam a memória dos processadores. O processo é frágil e a taxa de erro é alta, mas a margem de lucro compensa o risco, segundo apurou o The Information.

O preço do contrabando disparou

O resultado dessa engenharia paralela aparece no bolso. Um corretor baseado em Shenzhen, cidade-sede da Huawei, afirmou ao The Information que o preço da memória HBM3E contrabandeada saltou de algumas centenas de dólares para cerca de US$ 4.000 (cerca de R$ 21.685) por unidade em apenas um ano. Como cada chip de IA precisa de seis a oito unidades, só a memória pode custar até US$ 32 mil (cerca de R$ 173.478) por chip.

US$ 4.000

Preço do HBM3E contrabandeado, por unidade

Fonte: The Information / corretor em Shenzhen

O mercado negro não vive só de contrabando organizado. GPUs antigas da Nvidia desmontadas para peças e excesso de estoque de fabricantes de chips que cancelaram projetos ou reduziram pedidos também alimentam a oferta.

A dimensão do problema já aparece nos números oficiais. A alfândega da Coreia do Sul descobriu, até maio de 2026, violações comerciais que somam US$ 560 milhões (cerca de R$ 3 bilhões). O valor já supera o recorde de um ano inteiro registrado em 2025. Um terço desse total envolve bens estratégicos como chips exportados sem autorização ou com declarações falsas.

Huawei tenta furar o bloqueio por dentro

Enquanto empurra os clientes para o mercado negro, a Huawei tenta resolver o gargalo pelo lado institucional. Em outubro, a empresa conseguiu um empréstimo de US$ 2,3 bilhões de seis bancos chineses para turbinar seus investimentos em chips de IA. Também fechou parceria com a DeepSeek para projetar chips que rivalizem com a Nvidia.

Nenhuma dessas medidas, porém, resolve o curto prazo. Enquanto a Huawei não consegue produzir HBM internamente ou furar o embargo, o mercado negro segue sendo a válvula de escape para quem quer rodar IA nos chips Ascend.

Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 30/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,42). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.

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Fonte: The Decoder

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