Startup alemã imprime primeira viga rígida no vácuo do espaço

Construir coisas no espaço sem depender de dobraduras complicadas deixou de ser teoria. Uma startup alemã chamada Orbital Matter conseguiu imprimir em 3D uma viga rígida de meio metro de comprimento no vácuo do espaço usando o próprio satélite. É a primeira vez que um satélite livre em órbita faz isso.
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metro de comprimento da primeira viga impressa no vácuo do espaço
Fonte: Orbital Matter
O satélite da missão, batizado de Replicator-2, foi lançado num voo compartilhado da SpaceX ainda no meio do ano. A bordo, quatro impressoras 3D foram programadas para extrudar bobinas de resina que endurecem ao serem expostas à luz ultravioleta. A empresa compara o processo a misturar cimento com água.
“O Replicator 2 é a primeira prova de que podemos simplesmente construir a estrutura no espaço, no tamanho que a missão exigir”, disse Jakub Stojek, CEO e cofundador da Orbital Matter, ao TechCrunch.
Como uma impressora 3D funciona no vácuo
Duas das quatro impressoras do Replicator-2 foram desenhadas para desdobrar um painel solar flexível. Um dos equipamentos falhou por causa de uma anomalia, mas a viga que saiu da impressora que funcionou foi o suficiente para abrir o painel e provar que a ideia se sustenta.
Até hoje, as tentativas de impressão 3D em microgravidade ficavam restritas ao ambiente pressurizado dentro da International Space Station (ISS). Fazer o mesmo no vácuo do espaço é um salto técnico relevante, porque o material precisa curar sem a proteção da atmosfera e suportar as variações bruscas de temperatura em órbita.
“É por isso que colocamos tantas impressoras neste satélite. Preferimos aprender em órbita e adaptar o software conforme necessário do que perder anos testando todas as possibilidades no chão”, explicou ao TechCrunch Robert Ihnatisin, CTO da Orbital Matter.
Por que construir no espaço faz diferença
As grandes estruturas que existem hoje em órbita são verdadeiros projetos de origami. Painéis solares enormes e telescópios são lançados dobrados e só se abrem no espaço, num processo de engenharia delicado que pode dar errado. Se for possível simplesmente imprimir essas peças lá em cima, o tamanho delas deixa de ser limitado pelo espaço dentro do foguete.
A viga impressa agora tem só meio metro, mas o comprimento máximo depende apenas da quantidade de resina que o satélite carrega. Os engenheiros da Orbital Matter acreditam que vigas de 100 metros são factíveis. Para efeito de comparação, os satélites Starlink V2 da SpaceX, um dos mais potentes já produzidos em escala, usam painéis solares de 20 metros.
Isso importa porque as naves do futuro vão precisar gerar muito mais energia elétrica e dissipar mais calor no vácuo, especialmente se servirem como data centers em órbita. Montar os equipamentos no próprio espaço, em vez de levar tudo pronto de lá de baixo, pode resolver boa parte desses desafios.
O plano da Orbital Matter para os próximos anos
A empresa foi fundada em 2022 por Ihnatisin, que trabalhou na FormLabs (outra empresa de impressão 3D), e por Stojek. A startup levantou US$ 3 milhões (cerca de R$ 16,5 milhões) numa rodada inicial e já tem voo marcado para a próxima etapa.
Uma nova missão de demonstração está prevista para 2028 e vai testar uma impressora maior num satélite também maior. O objetivo é desdobrar um painel solar capaz de gerar 5 kw de potência. A Orbital Matter chama isso de “trampolim” para chegar, até 2030, a painéis de 100+ KW por módulo.
A empresa também trabalha com fabricantes de satélites que estudam incorporar o sistema PADS (sigla em inglês para sistema de desdobramento assistido por impressora) nas próprias naves, para estender painéis solares, antenas e outros componentes sem depender de mecanismos de dobra. A Orbital Matter tem parceria com a European Space Agency (ESA) e com a Thales Alenia, uma das maiores montadoras de satélites da Europa, que colaborou no Replicator-2.
Valores em reais convertidos pela cotação de fechamento do Banco Central de 03/11/2026 (US$ 1 = R$ 5,49). Conversão direta, sem impostos nem taxas de importação.
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Fonte: TechCrunch
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