FAA propõe novas regras para sistema de decolagem automática da Embraer
A FAA propôs novas regras de certificação para o sistema de decolagem automática E2TS da Embraer no jato E195-E2.

A Embraer está perto de ver seu sistema de decolagem automática ganhar um selo de segurança oficial nos Estados Unidos. A FAA publicou nesta terça-feira (27) uma proposta de requisitos de certificação para o Enhanced Takeoff System (E2TS), tecnologia que permite que o jato E195-E2 suba sozinho depois que os pilotos empurram as manetes para a posição de decolagem.
Resumo
- A FAA propôs requisitos de certificação para o sistema de decolagem automática E2TS da Embraer no jato E195-E2
- O sistema gerencia a rotação e a subida inicial; piloto mantém o alinhamento na pista
- Com falha de motor, a distância de decolagem não pode ultrapassar o manual de voo
- Com os dois motores, o sistema não pode aumentar a distância em mais de 1%
- As regras atuais foram feitas para pilotos humanos, não para automação
A proposta, publicada no Federal Register (o diário oficial do governo americano), é o primeiro passo concreto para que o sistema saia do laboratório e entre em operação comercial. E, para uma fabricante brasileira que tem nos EUA o maior mercado de jatos comerciais, cada etapa dessa conta.
O que o E2TS faz na prática
O Enhanced Takeoff System não substitui o piloto na pista. Durante o rolamento no chão, a tripulação continua responsável por manter o avião alinhado à pista. A automação entra em cena no momento da rotação, quando o nariz do avião sobe para iniciar o voo, e no começo da subida, gerenciando o ângulo de arfagem e a inclinação lateral.
Segundo a FAA, o sistema é ativado quando os pilotos empurram as manetes para a posição de decolagem/arremetida (takeoff/go-around). A Embraer desenvolveu a tecnologia para melhorar o desempenho na decolagem, o que pode permitir que o avião carregue mais carga ou mais combustível ao operar em pistas mais curtas.
O E2TS já passa por testes de certificação no Brasil, segundo a agência americana.
O que a FAA quer garantir
As regras atuais de certificação foram escritas pensando em pilotos humanos, não em sistemas automáticos. É aí que mora o problema que a proposta da FAA quer resolver.
“Os regulamentos atuais não levam em consideração que a rotação na decolagem está sendo feita por um sistema automático, não por um ser humano”, afirma a FAA no texto da proposta.
Os requisitos existentes consideram variações na técnica de cada piloto. As novas condições, por outro lado, avaliariam os desvios causados pela precisão dos sensores e pelas tolerâncias do sistema.
Os números são diretos:
- Em caso de falha de um motor durante a decolagem, a distância percorrida não pode ultrapassar a distância publicada no manual de voo da aeronave, mesmo com as variações esperadas do sistema.
- Com os dois motores funcionando, o sistema automático não pode aumentar a distância de decolagem em mais de 1% em relação ao valor de referência.
- A Embraer precisará demonstrar que o E2TS não produz características de voo inseguras, inclusive em situações de descompensação (trim fora do ponto).
O andamento da certificação
O pedido da Embraer para alterar o certificado de tipo da aeronave e incorporar o E2TS é de dezembro de 2021. Quase cinco anos depois, a FAA reconhece que as regras existentes para aeronaves de transporte da categoria “transport-category” não tratam adequadamente as funções automatizadas de decolagem e que, por isso, condições adicionais de certificação são necessárias.
A proposta publicada agora estabelece os padrões que o sistema precisa atingir, mas não é, em si, uma aprovação para uso operacional. A FAA está aceitando comentários do público por 30 dias a partir da publicação.
Para quem acompanha a indústria, o movimento da FAA mostra que a automação nas cabines comerciais está avançando num terreno antes dominado exclusivamente pelo reflexo humano. A Embraer aposta no sistema como diferencial competitivo num mercado em que cada quilo de carga adicional conta.
1%
Limite de aumento na distância de decolagem com o sistema ativo
Fonte: FAA
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Fonte: AVweb
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